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Da Revista Exame

Ainda há ressalvas no mercado de trabalho, fruto, principalmente, do desconhecimento e da falta de informação sobre a qualidade dos cursos online. Em linhas gerais esta é a opinião de grande parte dos recrutadores consultados por Exame.com.

Para eles, os resultados atingidos a partir do aprendizado importam muito mais do que a modalidade escolhida, presencial ou online. É isso que os headhunters tentam mostrar para as empresas contratantes.

E, se ainda há quem torça o nariz para a educação a distância, a tendência é de aumento da receptividade para cursos de extensão, pós-graduação e especialização na versão online no currículo de profissionais.

Em relação à graduação, no entanto, a recomendação ainda é a de que seja feita presencialmente, já que o contato com o ambiente universitário continua sendo de grande importância para o desenvolvimento do aluno. Confira a opinião de 9 headhunters da maiores consultorias de recrutamento do país a respeito das modalidades online de aprendizado.

1. Emmanuele Mourão, headhunter da De Bernt Entschev

“As empresas ainda têm preconceito, mas é algo equivocado”, diz a headhunter de executivos da De Bernt Entschev. De acordo com ela, há pesquisas que indicam que o aproveitamento do aluno da modalidade online é melhor do que o registrado pelos alunos de cursos presenciais.

“O preconceito das empresas é maior em relação à graduação a distância, mas é baseado em preconceito e ignorância e a gente tenta passar isto para nossos clientes”, diz Emmanuele.

Na opinião dela, seja para cursos rápidos, de extensão, graduação e pós, o nome da instituição pesa e muito. “A marca da instituição conta muito”, diz ela.
 
2. Marcelo Cuellar, gerente da Michael Page do Rio de Janeiro

“Minha percepção é que muitas pessoas sentem que precisam ter quantidade de cursos no currículo e se for apenas por essa razão não é necessariamente bom”, diz Marcelo Cuellar, da Michael Page. Para ele, vale a pena optar pela modalidade online quando o profissional sabe o que está buscando e não quer apenas colecionar cursos no currículo.

A falta de interação é um porém, citado por ele. “Investigo os cursos online porque as chances de ser um curso com um monte de apresentações em Power Point são grandes”, diz.

Ele também destaca a importância do resultado em detrimento da modalidade do curso. “Se é um curso que traz aprendizado e faz com que a pessoa tenha um desempenho melhor é válido”, diz. A rejeição das empresas, segundo ele, é inicial, e os resultados que o profissional traz após ter feito o curso é que fazem a diferença. “Acredito na combinação da educação online e presencial”, finaliza.
 
3. Jacqueline Resch, sócia-diretora da Resch Recursos Humanos

“Os cursos online ainda não são tão valorizados pelo mercado, mas creio que isto é fruto de desconhecimento, preconceito e certa resistência frente ao novo”, diz Jacqueline Resch. Para ela, a tendência é que esta modalidade seja assimilada pelo mercado já que a oferta tem crescido a cada dia.

“Eu jamais discriminaria um candidato por ter usado a tecnologia para ampliar seus conhecimentos e suas habilidades. Seria um total absurdo na era digital”, afirma Jacqueline. Avaliar a importância que o curso teve para o aprendizado é o ponto chave. “Caso tenha relevância, deve registrá-lo no currículo”, diz.

“Não vejo motivo para omitir que é online, a não ser que ele tema ser alvo de preconceito. De qualquer forma, declarar que o curso é online ajuda a desfazer esta ideia equivocada que um curso online tem menos valor que o presencial”, explica , lembrando que o nome da instituição conta.

“Certamente recomendaria um candidato que tenha um MBA online, por exemplo. Porém eu o recomendaria por sua experiência, realizações, conhecimentos e características que o tornam uma excelente opção para a posição e não por ter um MBA presencial ou online”, diz.
 
4. Peter Noronha, responsável pelo escritório da Asap no Espírito Santo

“A ampliação da oferta de cursos online é muito mais uma estratégia comercial do que uma tendência propriamente dita”, pondera Peter Noronha, da Asap.

Para ele, é possível perceber a diferença na preparação de um aluno com graduação presencial e outro com formação online. "Na graduação presencial o nível de comprometimento é maior, a troca é maior e ainda existe aquele ranço de que a qualidade do online não é a mesma”, explica.

Em relação aos cursos de especialização, as referências da instituição fazer diferença. “Mas entre dois candidatos, um com MBA presencial e outro com online, o primeiro ainda sai na frente”, ressalta.

Ele defende que para algumas funções, principalmente na área financeira e contábil, cursos, que ele classifica como de aplicação, valem a pena na modalidade online. “Aí toma uma proporção maior. Quanto mais especialista a função, maior a tendência de um curso online de extensão ter valor”, diz.

Seguindo a mesmo raciocínio que os outros entrevistados, Noronha destaca que, no limite, transformar conhecimento em competência que gere resultado é o que faz a diferença para o mercado. “E na hora de escolher pegue um curso validado por uma instituição que tenha credencial no mercado”, diz ele, lembrando que a escolha deve sempre estar atrelada ao plano de carreira.
 
5. Jorge Martins, headhunter da Robert Half

“A gente não faz distinção se um curso é presencial ou online”, diz Jorge Martins, da Robert Half. Também para ele o que vale é a identificação com o curso e o aprendizado conquistado. “Agora, profissional deve saber que por ser a distância o curso demanda dedicação maior”, ressalta.

Na opinião dele o conteúdo é o mesmo o que muda é a interação. Por isso os cursos que reúnem alunos em datas determinadas são os mais indicados pois permitem que haja mais trocas.

“Em relação às especializações, minha visão é que 70% do conteúdo vem das trocas entre os profissionais, e por mais que existam fóruns e salas de bate papo, na modalidade online essa interação é menor”, pondera.

Diferentemente de outros headhunters, Martins não recomenda que se faça distinção no currículo sobre o curso ter sido online ou presencial.

“Não considero pertinente e também sou avesso à análise da instituição pelo nome. Valorizo mais o profissional do que o lugar onde ele se formou”, diz. Se o para efeitos de carimbo no currículo o nome faça diferença, no fim das contas, diz ele, o mais importante é o quanto se aplica de resultado.

6. Sthaell Ramos, sócia-diretora da People on Time consultoria

“Apesar de não ser uma modalidade nova, ainda existe essa ideia de que é algo novo e existe sim algum tipo de preconceito”, diz Sthaell Ramos, da People on Time.

Para ela, a receptividade deve aumentar a partir do momento em que se começar a entender os ganhos adquiridos com educação a distância.

“O preconceito vem da falta de conhecimento e de adaptação à mudança, acho que vai ganhar um peso maior, já que estamos na era da tecnologia”, diz a especialista.

Para ela não há necessidade de especificar no currículo se o curso é online ou presencial. “Acredito que o aprendizado está relacionado ao envolvimento da pessoa com o curso. Mas é uma informação que pode ser checada e não se deve mentir”, diz.

O nome da instituição pesa, lembra Sthaell. “Em qualquer situação”, diz. Mas não é tudo.O conhecimento, a experiência, projetos dos quais o profissional participou é que vão chamar a atenção do recrutador, de acordo com ela.

7. Juliana Alves, gerente da área de expertise Hays Recursos Humanos

“A chave é optar por uma instituição de confiança que chancele o curso porque a receptividade do mercado está ligada à seleção da instituição”, diz Juliana Alves, da Hays. Isso porque, na opinião dela, as escolas mais reconhecidas não se arriscariam a oferecer cursos online que deixassem a desejar na qualidade em relação aos cursos presenciais.

Ela recomenda que a graduação seja presencial por conta do contato com o ambiente universitário, mas não faz nenhuma restrição em relação a outros cursos como de extensão e pós-graduação, por exemplo.

Ela acha necessário que o profissional deixe claro no currículo se a modalidade é presencial ou online. “Mais pela questão da metodologia, não que seja nenhum demérito”, explica.

Ela diz que não faz distinção na hora de investigar a validade de um curso online ou presencial na trajetória profissional de um candidato. “Quero saber se ele concluiu, sem cumpriu as horas, o que aprendeu”, diz.
 
8. Joseph Teperman, headhunter e sócio da FLOW Executive Finders

“O ensino a distância é uma belíssima solução para quem está fora dos grandes centros”, diz Joseph Teperman da Flow Executive Finders. No entanto, ele confirma que a modalidade é vista com ressalvas no mercado.

“Como tudo que é muito novo, os cursos online ainda são vistos com reserva pelo mercado de trabalho”, diz. Por isso, os “pioneiros” (ou seja quem optou por esta modalidade) terão um pouco de dificuldade em serem bem aceitos, segundo ele.

No entanto, a sua visão é a de que importa mais o que a pessoa aprende do que a forma como ela faz isso, se em casa ou na presença de colegas e professores. “Em relação a um curso de línguas, por exemplo, não importa se a pessoa estudou em Londres ou em casa, o que vale é que ela saiba falar inglês”, diz, ressaltando que esse raciocínio deveria valer para todos os casos. “O que importa são os resultados atingidos a partir daquele conteúdo."

Para ele, o futuro é que todas as instituições mesclem a transmissão de conteúdo entre online e presencial. “Eu acabei de voltar de um curso em Harvard e o conteúdo inicial, com os cases que seriam discutidos foi transmitido online, para que todos chegassem à sala já preparados para a discussão”, diz.

9. Rodrigo Vianna, diretor executivo da Talenses

“Ainda existe desconfiança do mercado, mas, por conta do investimento que está sendo feito pelas grandes instituições, isso vai mudar”, diz Rodrigo Vianna, diretor executivo da Talenses.

O headhunter lembra que a falta de infraestrutura ainda impede que o ensino a distância seja uma realidade para todas as classes sociais. Por isso ele classifica que a educação a distância, principalmente no que diz respeito a graduação, segue em processo de amadurecimento no Brasil.

Em relação aos cursos mais rápidos, temporários, de extensão, a aceitação do mercado é maior para a modalidade online, diz. “É um algo a mais no currículo e o fato de ser online não interfere”, diz.

Para ele, o resultado que o profissional vai atingir está muito mais relacionado à qualidade do curso e ao seu engajamento do que na questão da modalidade (online ou presencial).

O cuidado, diz, fica por conta da certificação, sobretudo em relação a graduação e pós-graduação. “Importante que seja um curso credenciado e certificado pelo MEC”, ressalta.

 

 

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